DREX: O que é e quais os riscos dessa moeda digital?

DREX: O que é e quais os riscos dessa moeda digital?

Cauê Moura

O DREX, moeda digital do Banco Central do Brasil, busca modernizar transações financeiras, mas levanta preocupações sobre controle e privacidade, sendo centralizado e potencialmente sujeito a vigilância em massa. Apesar de promover inclusão financeira, sua implementação pode acarretar riscos como erosão do poder de compra e manipulação econômica, exigindo que os cidadãos avaliem cuidadosamente suas opções em um cenário financeiro em transformação.

DREX é a versão digital do real, criada pelo Banco Central do Brasil para facilitar transações financeiras seguras e rápidas. Neste artigo, vamos explorar o que é DREX, como funciona e quais riscos essa nova moeda digital pode trazer para o seu dia a dia.

O que é DREX?

DREX é a versão digital do real, desenvolvida pelo Banco Central do Brasil para permitir transações financeiras seguras e rápidas, funcionando como a moeda oficial em formato digital. Em essência, representa a evolução do real para a era digital.

Diferente do Pix, que é apenas um método de pagamento, DREX representa a própria moeda, funcionando como uma Moeda Digital do Banco Central (CBDC).

Enquanto o Pix fornece a infraestrutura que os bancos usam para facilitar os pagamentos, o DREX atuará como a moeda digital que impulsionará essas transações no futuro, até mesmo suportando transferências do Pix utilizando DREX.

A principal distinção está em suas capacidades—ao contrário do Pix, DREX permite a tokenização de ativos e oferece um maior grau de controle. O DREX foi desenvolvido por um grupo de trabalho formado em agosto de 2020, que incluiu a Fenasbac (uma organização sem fins lucrativos que representa os funcionários do Banco Central do Brasil) e outras instituições financeiras.

Como o DREX está sendo construído?

DREX, a versão digital do real, está sendo desenvolvida utilizando tecnologias avançadas como blockchain e Tecnologia de Registro Distribuído (DLT) para garantir segurança, eficiência e rastreabilidade.

Aqui estão os principais componentes técnicos que moldam a criação do DREX:

  1. Arquitetura de Tecnologia de Registro Distribuído (DLT)

DREX é construído sobre uma arquitetura de blockchain permissionada, o que significa que apenas entidades autorizadas, como instituições financeiras participantes e o Banco Central do Brasil (Bacen), podem operar nós e validar transações. Isso proporciona segurança ao sistema, mantendo um controle centralizado.

  1. Tokens Representando Moeda Fiat

A moeda DREX opera com tokens digitais que representam a moeda fiat do Brasil (o real). Esses tokens serão emitidos pelo Banco Central e distribuídos para instituições financeiras e de pagamento autorizadas.

Essas instituições, por sua vez, disponibilizarão os tokens para os usuários finais (indivíduos e empresas), que poderão utilizá-los para pagamentos, transferências e outras transações.

O Banco Central é a única entidade autorizada a emitir tokens DREX, que são lastreados por reservas fiat correspondentes, garantindo paridade com os reais físicos.

  1. Interoperabilidade com o Sistema Financeiro Tradicional

DREX é projetado para ser interoperável com o sistema bancário tradicional do Brasil e o sistema de pagamentos instantâneos, Pix.

Essa integração visa facilitar uma transição suave entre moeda física, pagamentos Pix e DREX, sem interrupções para o usuário final.

  1. Contratos Inteligentes e Programabilidade

A infraestrutura do DREX permitirá a criação e execução de contratos inteligentes. Isso significa que instituições e usuários poderão programar condições automáticas para pagamentos, liquidações e outras funções financeiras.

  1. Segurança e Criptografia

Todas as transações DREX serão protegidas com criptografia de ponta a ponta, garantindo que as informações sejam acessíveis apenas a partes autorizadas e que os dados permaneçam protegidos durante a transmissão.

  1. Modularidade e Flexibilidade

DREX é projetado com uma arquitetura modular que permite a integração de novas funcionalidades e atualizações sem interromper a operação do sistema.

Essa abordagem garante que a moeda possa se adaptar a novos requisitos regulatórios.

  1. Conformidade e KYC (Conheça Seu Cliente)

DREX terá mecanismos de conformidade embutidos, permitindo que o Banco Central e as instituições financeiras monitorem a legitimidade das transações, incluindo verificações de KYC e medidas contra lavagem de dinheiro (AML).

  1. Governança e Controle Centralizado

Todo o sistema DREX será controlado e supervisionado pelo Banco Central do Brasil. Isso significa que todas as regras operacionais, emissões, transações e auditorias estarão sob a governança do Bacen, garantindo alinhamento com as políticas monetárias do país.

Os riscos ocultos do DREX

DREX foi projetado para operar como um sistema de registro distribuído (DLT), permitindo que os bancos convertam os saldos de depósitos dos clientes em tokens, facilitando o acesso a novos serviços financeiros digitais e inteligentes.

Essa tecnologia possibilita transações envolvendo ativos digitais e o uso de contratos inteligentes, mas os bancos ainda centralizarão as operações através do DREX.

Esse arranjo efetivamente concede ao Banco Central um controle ainda maior sobre o sistema financeiro. E isso não é especulação — o diretor do BIS (Banco de Compensações Internacionais), frequentemente referido como o banco central dos bancos centrais, afirmou abertamente que o principal objetivo das CBDCs é fornecer poder absoluto aos bancos centrais e governos sobre os sistemas financeiros.

Embora o DREX seja comercializado com termos atraentes como inclusão financeira, acesso democratizado, inovação e conveniência, o custo subjacente é substancial. Ao adotá-lo, corremos o risco de entregar nossos dados pessoais, os frutos do nosso trabalho e até mesmo a riqueza geracional ao controle político e burocrático.

Todo CBDC, incluindo o DREX, carrega um risco inerente: servir como uma ferramenta de vigilância em massa. Para regimes autoritários, representa o mecanismo definitivo — controle total sobre as finanças dos indivíduos e, por extensão, sobre suas vidas.

Portanto, embora seja retratado como um avanço, o DREX ou o real digital não traz vantagens significativas para a população em geral em comparação com os sistemas existentes. Em vez disso, amplifica as desvantagens da estrutura financeira atual:

  • desvalorização da moeda devido à inflação perpétua,
  • manipulação política,
  • criação de dinheiro sem lastro,
  • e uso forçado sem a opção de auditar independentemente o Banco Central ou os bancos comerciais.

Esse problema não está restrito ao Brasil. O DREX é parte de uma iniciativa global destinada a aumentar o controle financeiro sobre as populações, beneficiando, em última instância, aqueles em posições de poder.

E isso não é apenas uma afirmação. Preocupações semelhantes estão documentadas em materiais que discutem o euro digital.

Diferenças entre DREX e Bitcoin

A moeda digital DREX é frequentemente promovida como o “Bitcoin do Brasil”, mas na verdade, está muito mais próxima de uma “shitcoin“.

Diferente do Bitcoin, que tende a se valorizar ao longo do tempo devido à sua escassez e descentralização, o DREX é totalmente centralizado, concede mais poder aos políticos do que aos cidadãos e carrega até o risco de um “rug pull” semelhante à confiscatória que ocorreu durante o Plano Collor no Brasil nos anos 90.

Mas isso é apenas o começo. Vamos detalhar as principais diferenças entre DREX e Bitcoin:

1. Centralização vs. Descentralização

  • DREX: DREX é uma moeda digital centralizada, emitida e controlada pelo Banco Central do Brasil. Todas as regras para sua operação, emissão e monitoramento são determinadas por essa entidade, o que significa que o DREX segue as políticas monetárias e fiscais do Brasil. É gerenciado em uma blockchain permissionada, onde apenas instituições autorizadas podem operar nós e validar transações.
  • Bitcoin: O Bitcoin é uma moeda descentralizada, não controlada por nenhuma instituição ou governo. Sua emissão e transações são governadas por um protocolo de código aberto e validadas por uma rede distribuída de nós (computadores) que participam voluntariamente do processo de mineração e validação de blocos. Além disso, o Bitcoin opera em uma blockchain pública e aberta, que não requer permissão de terceiros para transações.

2. Emissão e Controle

  • DREX: DREX é exclusivamente emitido pelo Banco Central do Brasil. A quantidade de DREX em circulação é determinada pela política monetária do país, e o Banco Central tem total controle sobre a oferta da moeda digital. Ele pode implementar políticas econômicas, como ajustar taxas de juros ou aplicar restrições financeiras.
  • Bitcoin: A emissão do Bitcoin é predeterminada pelo seu protocolo e segue uma política monetária fixa e transparente, com um total máximo de 21 milhões de bitcoins a serem minerados ao longo do tempo. Nenhum governo ou banco pode alterar essa política de emissão, conferindo ao Bitcoin as propriedades de escassez digital.

3. Política Monetária

  • DREX: Está sujeito à política monetária do Brasil, e o Banco Central pode implementar taxas de juros variáveis, controlar a oferta de dinheiro e tomar medidas de intervenção econômica. Assim, o DREX é suscetível a decisões governamentais e eventos econômicos, como crises ou inflação.
  • Bitcoin: Não está vinculado a nenhuma política monetária nacional. Sua oferta é fixa e deflacionária, já que o número máximo de bitcoins é limitado. Consequentemente, o Bitcoin é frequentemente considerado uma reserva de valor ou “ouro digital”, protegendo os usuários das políticas inflacionárias do governo.

4. Transparência e Auditabilidade

  • DREX: Embora o DREX utilize uma blockchain permissionada, o controle sobre transações e o acesso à rede é restrito a instituições autorizadas. Isso significa que o público em geral não pode auditar diretamente as transações, e a transparência do sistema depende das regras e políticas estabelecidas pelo Banco Central.
  • Bitcoin: A blockchain do Bitcoin é pública e transparente. Qualquer pessoa pode auditar transações diretamente na blockchain, e todas as transferências de Bitcoin são visíveis para qualquer participante da rede.

5. Privacidade

  • DREX: Oferece pouca ou nenhuma privacidade financeira, já que as transações podem ser monitoradas e rastreadas pelo Banco Central e outras instituições autorizadas. Isso permite que o governo tenha controle total e visibilidade sobre os fluxos financeiros, que podem ser usados para monitorar atividades ilegais, mas também levanta preocupações sobre vigilância em massa e privacidade financeira.
  • Bitcoin: O Bitcoin oferece um certo nível de privacidade, embora não seja completamente anônimo, uma vez que as transações na blockchain são públicas. No entanto, ferramentas como mixers e tecnologias como pagamentos furtivos e redes de segunda camada (ex: Lightning Network) podem melhorar a privacidade das transações.

6. Tecnologia e Rede

  • DREX: Está sendo construído em uma blockchain permissionada, o que significa que apenas participantes autorizados, como bancos e instituições financeiras, podem operar nós e validar transações. Isso garante um maior controle sobre o sistema, mas limita a abertura e acessibilidade.
  • Bitcoin: Opera em uma blockchain pública e sem permissão, o que significa que qualquer pessoa no mundo com acesso à internet pode participar da rede — como minerador, operador de nó ou simplesmente usuário. Nenhuma autorização é necessária para validar transações ou ingressar no ecossistema.

7. Usabilidade e Escopo

  • DREX: É projetado para uso exclusivo dentro do Brasil e adere às regulamentações econômicas do país. Seu principal objetivo é facilitar transações digitais dentro do sistema financeiro brasileiro, promovendo maior eficiência em pagamentos e transferências bancárias.
  • Bitcoin: É uma moeda global e sem fronteiras. Pode ser usada por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, para transações financeiras sem depender de bancos ou governos. Além disso, o Bitcoin é amplamente utilizado como reserva de valor e meio para transferências internacionais de fundos.

O verdadeiro objetivo do DREX

O principal objetivo por trás das CBDCs, como o DREX, é aumentar o controle sobre as políticas monetárias, incluindo a capacidade de implementar taxas de juros negativas.

Na prática, isso significa que os indivíduos teriam que pagar para emprestar dinheiro ao governo por meio de títulos públicos, permitindo efetivamente que o estado extraia ainda mais recursos de seus cidadãos.

Além disso, as CBDCs também possibilitam práticas como o “dinheiro de helicóptero“, onde os governos distribuem fundos indiscriminadamente, independentemente das consequências econômicas. Isso pode corroer severamente o poder de compra ao alimentar uma inflação descontrolada.

Esse processo aumenta o chamado “seigniorage“, que é o lucro que os bancos centrais obtêm ao imprimir dinheiro. Como resultado, o governo financia suas próprias políticas e investimentos ao roubar valor da moeda que todos são obrigados a usar.

Esses objetivos não são especulativos — são respaldados por estudos documentados, como aqueles encomendados pelo Banco Central Europeu, que delineiam como as CBDCs podem ser usadas para manipular economias em benefício de governos e bancos centrais.

Esse documento destaca que as CBDCs em geral — não apenas o DREX no Brasil — provavelmente terão consequências negativas para os poupadores, corroendo seu poder de compra para financiar políticas populistas. Esse mecanismo permite que os governos reduzam suas dívidas, mesmo diante de gastos irresponsáveis, já que o custo da impressão de dinheiro é repassado à população.

Em outras palavras, somos nós que pagamos a conta. Forçados a usar a moeda, assistimos enquanto nosso poder de compra diminui constantemente.

Mas isso não é nem de longe a pior parte.

Com o DREX, “imprimir dinheiro” se torna ainda mais simples. Criar mais tokens é tão fácil quanto apertar um botão, sem exigir esforço ou transparência. O verdadeiro perigo, no entanto, reside na vigilância em massa que essa moeda digital poderia permitir.

Com o DREX, o governo terá a capacidade de monitorar todos os seus gastos. Cada transação que você realizar estará sob o olhar atento do Banco Central. Além disso, a coleta de impostos poderá ser realizada automaticamente, eliminando qualquer possibilidade de controle individual.

O que é ainda mais alarmante é um código específico que facilita a confiscação de fundos diretamente das contas dos usuários.

Um desenvolvedor demonstrou isso no GitHub, revelando como a arquitetura do DREX (CBDCs) permite que fundos sejam bloqueados ou confiscados de maneira muito mais fácil e eficiente do que no sistema bancário tradicional.

Considerações finais

Analisando a história, o real brasileiro já perdeu 86% de seu poder de compra ao longo de seus 28 anos de existência, e o DREX nada faz para mudar essa trajetória. O Banco Central continuará a criar dinheiro do nada, como sempre fez.

Na verdade, a introdução de uma nova moeda digital apenas reforça essa prática inflacionária.

A verdadeira moeda digital é o Bitcoin. Ele proporciona soberania individual, resiste à censura e não pode ser manipulado por governos ou bancos centrais.

O Real Digital e outras CBDCs, por outro lado, são uma armadilha projetada para manter você confinado dentro do sistema fiduciário. O Bitcoin é sua saída.

Até a próxima — opte por sair!

Conclusão

Em resumo, o DREX, como uma moeda digital do Banco Central, traz à tona questões importantes sobre controle financeiro e privacidade. Embora prometendo eficiência e inovação, ele também representa riscos significativos, como a vigilância em massa e a erosão do poder de compra dos cidadãos.

Ao comparar o DREX com o Bitcoin, fica claro que a verdadeira liberdade financeira reside na descentralização e na sovereania individual que o Bitcoin oferece.

Portanto, é crucial que os cidadãos estejam cientes das implicações do DREX e considerem suas opções em um mundo financeiro em rápida transformação.

Fonte: https://blog.areabitcoin.co/cbdc-drex

Compartilhe este artigo
Economista e escritor com foco em análise de mercado e inovações financeiras. Trago uma perspectiva abrangente sobre as tendências econômicas globais e sua relação com criptomoedas. Meu objetivo é tornar temas financeiros acessíveis para todos, ajudando a expandir a compreensão sobre o universo digital.